A Surfrider Foundation Azores organiza no próximo fim-de-semana, várias acções de protecção e preservação do litoral.
No âmbito das Iniciativas Oceânicas organizadas pela Surfrider na Europa, acontece no próximo fim-de-semana, de 22 a 25 de Março, várias acções de protecção e preservação do litoral, e de luta contra os resíduos em várias zonas costeiras nas ilhas dos Açores.
Este ano as Iniciativas Oceânicas são integradas na campanha Rise Above Plastics - Vamos reduzir a nossa pegada plástica, lançada pela Surfrider Foundation, com o objectivo de reduzir o impacto de plásticos descartáveis no ambiente marinho através da sensibilização para os perigos desta poluição. Por isso um dos alvos principais das acções programadas para este ano é o plástico, que representa 60 a 90% dos resíduos encontrados.
Para além das limpezas programadas, a Surfrider Foundation nos Açores irá simultaneamente fazer o levantamento dos problemas costeiros nas zonas seleccionadas para a realização das acções e reivindicar contra as descargas de esgotos que continuam a existir em algumas dessas zonas frequentadas pelos surfistas durante todo o ano.
O objectivo é sensibilizar e alertar através destas operações, envolvendo os cidadãos e governos, levando-os a proteger e preservar os oceanos e o património natural.
Os meetings irão decorrer em várias ilhas dos Açores e a Surfrider confirma para já os eventos durante o dia 24 de Março nas seguintes ilhas:
S. Miguel - Monte Verde
Terceira - Santa Catarina
Faial - Praia do Norte
A Surfrider Foundation Azores vai fornecer material educativo e de incentivo, bem como apoio logístico, para aqueles que queiram juntar-se a esta causa.
A AST associa-se a esta iniciativa e convida todos os associados e simpatizantes dos desportos aquáticos a participarem.
Tem orgulho e participa nas Iniciativas Oceânicas da Surfrider!
terça-feira, 20 de março de 2012
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Ainda não acabou!
Qualidade Ambiental PARQUE INDUSTRIAL SEM MEDIÇÃO DE CHEIROS
Publicado na Terça-Feira, dia 20 de Dezembro de 2011, em Actualidade
A Secretaria Regional do Ambiente e do Mar diz não possuir aparelhos para medir o ar do Parque Industrial da Praia da Vitória, onde estão localizados o Matadouro, a ETAR e fábricas de conserva e lacticínios, além de não existir regulamentação para a emissão de odores.
Para já, as más condições ambientais verificadas no local estão sujeitas à concretização da empreitada de alteração da rede de drenagem das águas residuais – a jusante da ETAR –, cujo período de execução estava inicialmente previsto por 30 dias.
Está ainda em curso a empreitada de alteração da rede de drenagem das águas residuais – a jusante da ETAR –, no Parque Industrial da Praia da Vitória, cujo período de execução estava inicialmente previsto por 30 dias.
Entretanto, a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar (SRAM) diz não possuir aparelhos para medir o ar e os odores daquela zona de indústria onde estão localizados potenciais causadores de maus cheiros como o Matadouro, a ETAR e fábricas de conserva e lacticínios.
Para além desse projecto, os alvarás indicam também a empreitada de desvio da rede de drenagem da Pesca Atum e a empreitada de protecção da marginal da zona adjacente ao terminal de combustíveis, reabilitação da obra complementar de abrigo do terrapleno do núcleo de pesca e requalificação do hydrolift do Porto da Praia da Vitória.
As más condições ambientais verificadas no local estão sujeitas à concretização das empreitadas no sentido de desviar os esgotos e proceder ao tratamento de águas residuais antes da descarga no oceano.
Segundo o documento do gabinete do secretário regional da Presidência, em resposta aos deputados da Terceira do PSD, sobre a qualidade ambiental do parque industrial da Praia da Vitória, as medidas tomadas para a monitorização da qualidade do ar e dos odores passam pela realização de inspecções regulares desde 2009 “a todas as unidades de média e grande dimensão, potencialmente capazes de provocar problemas ambientais”.
“Não existindo regulamentação para a emissão de odores, todas as situações associadas aos odores foram averiguadas de forma indirecta, ou seja, verificando-se o adequado funcionamento dos equipamentos e instalações que poderão estar na origem da emissão de odores”, pode ler-se na resposta endereçada aos deputados social-democratas.
“ODORES NORMAIS”
Nas inspecções realizadas pelo serviço de Inspecção Regional do Ambiente (IRA), cujos relatórios estão disponíveis em anexo, a tutela verifica que os maus cheiros seriam causados pela ETAR e pelo tratamento de vísceras e sangues no matadouro.
“No primeiro caso, foram detectadas irregularidades, tendo sido impostas medidas para a sua regularização com a obra em curso”, refere.
Também em curso, continua, está a obra relacionada com a alteração do ponto de descarga de águas residuais, com separação do efluente da fábrica de conservas do efluente das restantes unidades fabris.
Já sobre o manuseamento de produtos de origem animal, o documento governamental dita que o mau cheiro é natural e, por isso, as medidas aplicadas são de recomendação “para um melhor funcionamento nas componentes”.
“Recomendou-se a instalação de um sistema de desodorização associado aos equipamentos e infra-estruturas onde trabalham os subprodutos animais”, salienta.
OBRA EM EXECUÇÃO
Conforme as declarações do secretário regional da SRAM, Álamo Meneses, na edição de 9 de Setembro deste jornal, “o problema dos esgotos a céu aberto na zona da onda de Santa Catarina, no concelho da Praia da Vitória, deverá estar resolvido até final de Outubro”.
A obra, orçada em 150 mil euros, e com um prazo de execução de 30 dias, consiste na instalação subterrânea de uma tubagem com mais de um quilómetro de comprimento que levará os afluentes tratados das várias ETAR´s para o fim do muro, cortina do parque de combustíveis que está actualmente a ser reforçado.
Trata-se de um projecto conjunto entre a Portos dos Açores, Associação para a Gestão do Parque Industrial da Ilha Terceira (AGESPI) e a SRAM.
Sónia Bettencourt sonia@auniao.com
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sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Santa Catarina, uma abordagem histórica
Santa Catarina é actualmente vista como a melhor onda dos Açores para a prática de bodyboard (opinião subscrita por alguns riders açorianos de renome) e uma das melhores de Portugal, comparável à meca de Pipeline, havendo uma concordância generalizada quanto à qualidade mundial desta onda, por parte de inúmeros surfistas e bodyboarders profissionais, fotógrafos, publicações internacionais como a “Stormriders Guide”, ou a revista de bodyboard Vert, que têm tido fotos, reportagens e inúmeras referências à onda de Santa Catarina, ao longo da última década.
Preocupação social
A preocupação com a onda de Santa Catarina já vem de longa data. No início dos anos 90, um movimento intitulado COCOVAMA - Companhia de Corredores de Vagas de Mar - foi o primeiro sinal de alerta quanto às alterações costeiras na Praia da Vitória: o Porto Oceânico desde 1985 e em seguida infra-estruturas industriais e de apoio à actividade portuária. A contrução deste porto eliminou uma série de ondas que quebravam em fundo de areia na baía da praia, sobrando até à actualidade apenas a onda da Ribeira de Santo Antão (chamada de Riviera entre a comunidade surfista local).
Santa Catarina já é surfada por locais há pelo menos 25 anos, e em 1986 já era vista como um santuário de surf, por surfistas como “Xico Martelada”, Carlos “Perna” Gouveia ou o carismático João Luís “Arquitecto” P. Santos, a que se seguiram surfistas como José Fernando Lima José Sousa, os irmãos Ricardo e João Freitas e mais recentemente, nos anos 90 Filipe Barata.
A questão da onda do Terreiro de São Mateus
Entre 2008 e 2009, uma grande pressão social foi feita para evitar graves danos à onda do terreiro, mediante a ameaça de uma obra costeira para “protecção” do novo bairro social. Foram apresentados projectos alternativos como a “Alternativa Feliz” do Arqº João Luís dos Santos e propostas para minimizar os efeitos caso a obra avançasse. Pessoas como Filipe Alves ou João Monjardino trabalharam arduamente de variadíssimas formas, reunindo assinaturas, organizando eventos, manifestações e divulgação nos media, no sentido de evitar o pior. A obra foi feita mesmo assim e a onda ainda lá continua, ainda que com algum backwash e menos segurança nas entradas e saídas.
Bodyboard em Santa Catarina
O bodyboard local surgiu no início dos anos 90 com riders como Filipe Lourenço e Carlos Moura, entre outros. A esta primeira vaga seguiram-se a meados dos anos 90 Carlos Leal e Tó Branco. Já no início deste século, surgiram Samuel Barcelos, Miguel Mendonça, Nelson Branco e Tiago Fagundes, entre outros. A atitude local sempre foi receber os visitantes numa óptica de “respeita e serás respeitado”, o que será confirmado pelos inúmeros praticantes de origem nacional e internacional que a visitaram. A comunidade surfista local sempre se mostrou pouco ou nada interessada em receber competições ou eventos que fomentassem a exposição mediática da onda (argumentando o potencial aumento desmesurado do crowd e a perturbação da paz que sempre se viveu neste local, numa onda que pelas suas características, não permite muitos praticantes por sessão).
Ameaças à onda
Matadouro Industrial
Entre 2005-2007 deu-se a construção e instalação do parque de combustíveis da Ilha Terceira e do matadouro industrial da ilha Terceira, a escassos 100m da laje onde quebram as famosas ondas, na antiga pedreira do Cabo da Praia (que serviu para a construção do referido porto oceânico).
O matadouro representou uma ameaça séria à onda logo de início por via das descargas de vísceras e sangue dos animais abatidos em quantidades na ordem dos milhares de litros por dia. Tais factos levaram à criação de um núcleo de força local, em parceria com movimentos cívicos, abaixo-assinados e associações de defesa do ambiente - Gê-Questa - conjuntamente com a comunidade local de desportos de ondas. Surgiu assim o movimento cívico intitulado SOS-CABO DA PRAIA, que recolheu assinaturas, organizou protestos, “meetings” de surf com o intuito de chamar a atenção dos media para o problema e sessões de esclarecimento com a comunidade local, que foram amplamente divulgados ao nível local. Graças à entrega de pessoas como Sérgio Aparício, Filipe Barata ou Pedro Cordeiro, alertou-se para o valor patrimonial não só desta onda como de toda a envolvente: a pedreira entretanto formou uma zona húmida com potencial turístico, um hotspot para observação de aves selvagens provenientes do Norte da América, sendo esta uma referência a nível europeu. Por outras palavras, foi apresentado o potencial da onda num contexto multidisciplinar, como o seguinte título de uma das acções atesta “Proposta de acções geradoras de recursos auto-sustentáveis para a orla costeira do Cabo da Praia, ilha Terceira – Açores”.
Este movimento provocou a visita do antigo Secretário Regional da Agricultura e Florestas ao local, que garantiu que o matadouro estaria equipado com todas as condições para fazer face à sua actividade sem provocar problemas de saúde pública. Passados alguns meses a situação foi efectivamente resolvida e não mais esse esgoto perturbou nem manchou as águas de Santa Catarina.
Pescatum /Descargas a céu aberto
Por sua vez, um segundo esgoto proveniente do parque industrial e de uma indústria conserveira - a Pescatum - já vinha a ameaçar a saúde pública dos praticantes, por via de grandes descargas nauseabundas, desde o início deste século. Este é um problema antigo e que foi amplamente divulgado nos media locais e regionais. Foram feitos abaixo-assinados, queixas à Secretaria do Ambiente, à Autoridade Marítima, foram conduzidas reportagens para a RTP-Açores, RDP-Açores, e os jornais locais, Diário Insular e A União. O movimento tomou conhecimento de análises efectuadas ao local, cujos resultados nunca vieram a público.
Parque de Combustíveis do Cabo da Praia
Quanto ao parque de combustíveis, de interesse estratégico, também foi instalado na antiga pedreira do Cabo da Praia, aquele era de facto o local lógico para a sua implantação. Como a pedreira já tinha sido escavada demasiado profundamente e próxima à linha de costa basáltica, a água entrou via aquífero de base e formou-se uma nova zona húmida. Devido à erosão costeira, facilitada pelo tipo de material e pelas fortes tempestades de 2009 e 2010, surgiu uma ameaça física à integridade do parque de combustíveis, o que levou durante o ano de 2011 às obras costeiras de protecção, através de um molhe de protecção de cerca de 1km de extensão, obra realizada a cargo da APTG-Administração dos Portos da Terceira e Graciosa, actualmente Portos dos Açores (que detém a jurisdição terrestres da zona).
Criação da AST – Associação de Surf da Ilha Terceira
Em 2009, surge a AST - Associação de Surf da Ilha Terceira, a primeira organização com voz activa no surf terceirense. Referir o impulsionador da primeira reunião pré-AST, anterior presidente da Gê-Questa, e membro da I direcção da AST, Msc. Orlando Guerreiro. Essa associação surgiu da necessidade de criação de uma organização oficial que defendesse os interesses da comunidade local de desportos de ondas perante as ameaças que existiam contra as ondas locais. A preservação das ondas e o assegurar de condições de segurança e saúde pública aos seus utilizadores constituem os seus objectivos máximos.
Actividades da AST
Entre 2009-2010 destaque para as inúmeras acções de limpeza costeira e “meetings” de surf realizados em parceria com associações locais de defesa do ambiente (Gê-Questa). Referir a vinda de Mike Stewart a São Miguel e à Terceira em Dezembro de 2009 (parceria AST/USBA-União de Surfistas e Bodyboarders dos Açores), como aliado na luta pela preservação de Santa Catarina. No âmbito desta deslocação a AST organizou uma sessão de esclarecimento sobre a onda, realizada na Casa das Tias do Vitorino Nemésio, Praia da Vitória. Nesta sessão, o Sr. Secretário Regional do Ambiente, álamo Meneses, como convidado de honra, prometeu a resolução ainda em 2010 da questão dos esgotos tendo referido que "ou a fábrica fechava ou resolvia-se o problema dos esgotos". Mike Stewart recusou-se a entrar na água devido ao esgoto, mas enalteceu a qualidade da onda e o potencial deste recurso. Em 2010, foi exercida mais pressão mediática pela AST no sentido de se resolver o problema do esgoto, por via da provável interferência negativa na anunciada etapa do Mundial de Bodyboard.
A temida obra costeira, a maior ameaça
Já em 2011 iniciaram-se as controversas obras costeiras. A AST e a comunidade local de desportos de ondas reconhecem a necessidade desta obra. Contudo, todo o esforço comunicacional e negocial foi dirigido de forma a fazer-se a obra não afectando fisicamente a qualidade da onda. Há a referir o excelente diálogo AST/USBA com a APTG, que transmitiu desde o início do processo muita honestidade, transparência e vontade de atingir uma solução que não violasse os interesses de ambas as partes.Decorreram reuniões de trabalho conjuntamente com o Arqº João Monjardino no sentido de ter-se acesso ao projecto em papel. Após a consulta do projecto, constatou-se que caso fosse executado na forma inicial, traria consequências gravíssimas para a onda, nomeadamente a reflexão.
Decorreu uma reunião de trabalhos com o engenheiro encarregado de obra que se deslocou a Santa Catrina com a onda a funcionar. O projecto foi reformulado recuando 10m no papel, situando-se no limite do zero hidrográfico. Os media foram alertados aquando do início repentino dos trabalhos e a obra foi acompanhada passo a passo, dia a dia, até ao seu términus. Apesar de toda a contra-informação e controvérsia gerada à volta desta obra, obteve-se a garantia por parte do Sr. Director Regional dos Transportes Terrestres de um mês inteiro de observação dos trabalhos para se ter a certeza que a obra não afectaria a onda. Assim aconteceu e desde o projecto inicial a obra recuou duas vezes para um total final de 13m, tendo sido dadas as garantias que recuaria ainda mais caso se confirmasse a interferência por reflexão (backwash).
Nas semanas seguintes ocorreram várias ondulações superiores a 3m e não houve qualquer reflexão. A AST ficou satisfeita com as negociações, sendo este um exemplo de excelente comunicação, boa vontade política e entrega total de determinadas pessoas, a referir João Monjardino que se empenharam e desdobraram para um final positivo para todos.
A participação da USBA, nas pessoas do Arqº João Monjardino e Pedro Arruda e da Engª Conceição Rodrigues da APTG são referências obrigatórias além da AST, para o sucesso de toda esta grande operação.
Potenciais da onda e envolvência
Considerar o potencial desportivo, de lazer, turístico da onda, em conjugação com a envolvente natural e humanizada, numa perspectiva sustentável, em ligação com actividades de orla costeira, pesca, caça submarina. passeios à beira mar, bicicletas, observação de aves migratórias no paul da pedreira do Cabo da Praia (considerado por Staphan Rodebrand, fundador e director do site "Birdingazores", no passado dia 1 de Fevereiro na confª sobre Zonas Húmidas organizada pela CMPV, como "Provavelmente o melhor local para observação de aves neárticas do mundo") situado a apenas 200m a SE de Santa Catarina.
Tratar este caso sempre numa perspectiva integrada de recuperação e salvaguarda dos interesses da plataforma logística, combustíveis, portos e zona industrial com os interesses sociais e recreativos, turísticos e de potencial económico (surf, observação de aves) de impacto para a freguesia, concelho e mesmo ilha Terceira/Açores.
Azores Islands Bodyboarding Festival
A AST – Associação de Surf da Terceira e da USBA – União de Surfistas e Bodyboarders dos Açores organizam esta prova, que veio criar condições para que toda a pressão mediática, social e política congregasse uma massa crítica que conduziu à materialização da promessa política assumida em 2009 e reafirmada durante 2010 e finalmente em 2011 com a promessa oficial de uma obra de engenharia orçada em 150000euros, com desvio de todos os esgotos existentes no Parque Industrial do Cabo da Praia, e garantia oficial que não haveria problemas durante o decurso da prova. A obra não se encontra ainda 100% concluída mas temos informação que estará dentro das próximas 2 a 3 semanas, o que constituirá uma grande vitória do surf terceirense, e das instituições açorianas na defesa do seu grande património, as nossas ondas.
Carlos Leal
Presidente da Direcção da AST – Associação de Surf da ilha Terceira
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011
CAMPEONATO ARRANCA HOJE EM SANTA CATARINA
CAMPEONATO ARRANCA HOJE EM SANTA CATARINA
Mundial de bodyboard conta com quatro atletas terceirenses na line-up
Publicado na Quinta-Feira, dia 17 de Novembro de 2011, em Actualidade
A linha da frente do Azores Islands Bodyboarding Festival 2011, que arranca hoje no pico de Santa Catarina, concelho de Praia da Vitória, prolongando-se até ao próximo dia 27, conta com quatro atletas terceirenses – Samuel Barcelos, Miguel “Biscoito” Mendonça, Nelson Branco e Laura Barbosa são os jovens promessa.
Enquanto no Top nacional está Hugo Pinheiro e Catarina Sousa, no internacional Pierre Louis Costes é a figura destaque.
Considerada “pedaço de património” ou “rainha”, o pico de Santa Catarina, localizado no concelho da Praia da Vitória, acolhe a partir de hoje e até ao próximo dia 27 o Azores Islands Bodyboarding Festival 2011, um evento que os atletas terceirenses participantes manifestam um especial contentamento sobretudo por ter motivado resoluções no local ligadas ao meio ambiente.
O nosso jornal esteve à conversa com Samuel Barcelos, Miguel “Biscoito” Mendonça, Laura Barbosa e Nelson Branco, as jovens promessa de uma modalidade que, segundo os praticantes, está a viver um momento de viragem na ilha e na região pela vitória de uma luta antiga.
“Este evento surge na sequência de uma vitória sobre a remoção do esgoto cujas descargas de resíduos da fábrica de conserva estavam a poluir a onda de Santa Catarina. Foi o melhor que poderia acontecer e o mais importante no todo relacionado com o campeonato”, considera Samuel Barcelos, natural da Praia da Vitória, um dos nomes “wild cards” do GQS do referido Festival, na Etapa do Circuito Mundial de Qualificação 2011 – IBA World Tour.
Há oito anos ligado à modalidade e figura de referência em revistas da especialidade, o atleta mostra-se confiante e ao mesmo tempo ansioso pelo que será o seu desempenho nestes dias que espera “boas ondas”.
Questionado sobre o lugar que o bodyboard ocupa na sua vida, Samuel Barcelos, ou Sam para os amigos, é peremptório: “O bodyboard é a nossa droga. E, pessoalmente, costumo dizer “Há mar sem Sam mas não há Sam sem mar”.
Salienta que a onda de Santa Catarina possui naturalmente um “point break perfeito”, explicando o significado para quem pouco domina os termos técnicos dessa modalidade.
“Quebra para os dois lados. O fundo é de pedra, por isso é mais agressiva e, logo, dá mais adrenalina”, diz.
Já Nelson “Nelssim” Branco, oriundo da freguesia do Porto Martins, e o mais novo do grupo, destaca o que, no seu entender, é necessário para ser considerado “bom bodyboarder”. As qualidades passam pela “paixão, humildade e respeito pelo mar”, ideias, aliás, partilhadas pelos seus amigos e colegas presentes.
Diz que entre todos existe profunda amizade e, apesar de serem adversários no âmbito do campeonato, os laços dificilmente serão afectados.
“Não há rivalidades aqui como existe lá fora. Existe união entre todos e isso é fantástico”, considera o jovem de 19 anos de idade reconhecido pelos seus “aéreos” entre os membros da comunidade.
Laura Barbosa reafirma as palavras de “Nelssim” acrescentando que, ao contrário dos comentários comuns, os bodyboarders e surfistas “dão-se bem” e, além disso, a comunidade acolhe “com amizade e apoio” novos elementos.
“Fui muito bem acolhida. E o facto de ser mulher não trouxe contratempos. Há respeito, muita amizade e convívio”, conta a estudante do curso superior Guias da Natureza, uma área que lhe agrada desde a infância, sendo que, segundo dizem os amigos orgulhosamente, trata-se da única mulher a “dropar a onda de Santa Catarina” até ao momento.
Questionados sobre as necessidades desse desporto no contexto Açores, as posições são unânimes ao salientarem os apoios no sector desportivo nomeadamente o que engloba os custos da insularidade e a condição geográfica.
“Sai muito dispendioso sair dos Açores. São os custos das passagens aéreas e o transporte de carga do material”, considera Samuel Barcelos. E Laura Barbosa acrescenta: “As viagens são importantes para podermos conhecer ondas diferentes”.
Nelson “Nelssim” Branco justifica salientando a prática e a experiência adquirida.
“Só assim é possível evoluir como atletas e como pessoas”, remata.
O Azores Islands Bodyboarding Festival 2011, organizada pela União de Surfistas e Bodyboarders dos Açores (USBA) em parceria com a Associação de Surfistas da Terceira (AST), integra a partir de hoje e até domingo, dia 20, a 3ª etapa do Circuito Nacional de Bodyboard Open e Feminino e, dias 22 a 27, a etapa do Circuito Mundial de Qualificação GQS da IBA.
Protagonista do cartaz
O protagonista do cartaz criado para o Azores Islands Bodyboarding Festival 2011, Miguel Mendonça, popularmente conhecido por “Biscoito”, fotografado por Paulo Melo, é um dos riders terceirenses participantes no evento cujo desempenho se destaca nos “tubos”.
Contando com oito anos de actividade e confessar a sua preferência por ‘free surf’, o bodyboarder exalta a beleza e qualidade da onda de Santa de Catarina, onde, conta, viveu a sua maior queda – ‘wipe out’ –, logo nos primeiros tempos de prática da modalidade.
“Foi marcante sobretudo a nível psicológico, porque teve impacto na minha evolução no bodyboard”, declara Miguel Mendonça, à conversa com “a União”, salientando as características do dito spot localizado na Praia da Vitória. “É uma onda muito técnica e, por isso, é necessário bastante evolução”, considera.
Neste sentido, adianta, diz ter boas expectativas quanto ao evento que hoje arranca. À semelhança dos seus amigos e colegas, o foco não está na competição em si mas no cenário e mobilização de gentes que a iniciativa irá proporcionar à ilha Terceira.
“A adrenalina e o convívio com os amigos também são parte importante. Além disso, e não menos significativo, é o facto de o esgoto ter sido removido de Santa Catarina. Deixa-me muito feliz”, sublinha.
Em matéria de ‘swell’ para o campeonato, considera o ideal 1,5m com sets de 2m, e confessa a ‘invert air’ como a sua manobra preferida.
No que concerne a influências a nível local, destaca o perfil desportivo e pessoal de Carlos Leal e Samuel Barcelos, ambos seus amigos ligados à Associação de Surf da Terceira (AST), e, no campo nacional, Luís ‘Porkito’ Pereira.
Miguel “Biscoito” Mendonça tem 23 anos de idade, é formado em técnicas de Construção Civil, e, presentemente, está a frequentar o curso superior de Energias Renováveis na Universidade dos Açores.
“Verdadeiro desafio”
De acordo com a USBA, os top’s nacionais Manuel Centeno e Jaime Jesus, que já se encontram na ilha Terceira, têm treinado “em boas ondas”, conforme as palavras deste último atleta “com mais rodagem em Santa Catarina: “Esta é a terceira vez que aqui venho e já apanhei muito boas ondas, se bem que nunca com o tamanho que isto pode dar. É uma onda triangular com tubos e rampas para a direita e esquerda, em fundo de pedra bem raso. Isto, a partir de um metro, pode apresentar um verdadeiro desafio só à altura de bodyboarders muito experientes. Penso que pode dar um excelente espectáculo”, sustenta.
Outros nomes participantes vindos do continente são Hugo Pinheiro, Manuel Centeno, e Gastão Entrudo, e, ainda, Catarina Sousa e Rita Pires.
Para além de Samuel Barcelos, a USBA inclui o Pedro “Pedrim” Correia ( ilha de São Miguel) como ‘Wild Card’, sendo que o 3º será para o melhor açoriano na 3ª etapa do Nacional e o 4º será atribuído pela ETB.
Sónia Bettencourt
Mundial de bodyboard conta com quatro atletas terceirenses na line-up
Publicado na Quinta-Feira, dia 17 de Novembro de 2011, em Actualidade
A linha da frente do Azores Islands Bodyboarding Festival 2011, que arranca hoje no pico de Santa Catarina, concelho de Praia da Vitória, prolongando-se até ao próximo dia 27, conta com quatro atletas terceirenses – Samuel Barcelos, Miguel “Biscoito” Mendonça, Nelson Branco e Laura Barbosa são os jovens promessa.
Enquanto no Top nacional está Hugo Pinheiro e Catarina Sousa, no internacional Pierre Louis Costes é a figura destaque.
Considerada “pedaço de património” ou “rainha”, o pico de Santa Catarina, localizado no concelho da Praia da Vitória, acolhe a partir de hoje e até ao próximo dia 27 o Azores Islands Bodyboarding Festival 2011, um evento que os atletas terceirenses participantes manifestam um especial contentamento sobretudo por ter motivado resoluções no local ligadas ao meio ambiente.
O nosso jornal esteve à conversa com Samuel Barcelos, Miguel “Biscoito” Mendonça, Laura Barbosa e Nelson Branco, as jovens promessa de uma modalidade que, segundo os praticantes, está a viver um momento de viragem na ilha e na região pela vitória de uma luta antiga.
“Este evento surge na sequência de uma vitória sobre a remoção do esgoto cujas descargas de resíduos da fábrica de conserva estavam a poluir a onda de Santa Catarina. Foi o melhor que poderia acontecer e o mais importante no todo relacionado com o campeonato”, considera Samuel Barcelos, natural da Praia da Vitória, um dos nomes “wild cards” do GQS do referido Festival, na Etapa do Circuito Mundial de Qualificação 2011 – IBA World Tour.
Há oito anos ligado à modalidade e figura de referência em revistas da especialidade, o atleta mostra-se confiante e ao mesmo tempo ansioso pelo que será o seu desempenho nestes dias que espera “boas ondas”.
Questionado sobre o lugar que o bodyboard ocupa na sua vida, Samuel Barcelos, ou Sam para os amigos, é peremptório: “O bodyboard é a nossa droga. E, pessoalmente, costumo dizer “Há mar sem Sam mas não há Sam sem mar”.
Salienta que a onda de Santa Catarina possui naturalmente um “point break perfeito”, explicando o significado para quem pouco domina os termos técnicos dessa modalidade.
“Quebra para os dois lados. O fundo é de pedra, por isso é mais agressiva e, logo, dá mais adrenalina”, diz.
Já Nelson “Nelssim” Branco, oriundo da freguesia do Porto Martins, e o mais novo do grupo, destaca o que, no seu entender, é necessário para ser considerado “bom bodyboarder”. As qualidades passam pela “paixão, humildade e respeito pelo mar”, ideias, aliás, partilhadas pelos seus amigos e colegas presentes.
Diz que entre todos existe profunda amizade e, apesar de serem adversários no âmbito do campeonato, os laços dificilmente serão afectados.
“Não há rivalidades aqui como existe lá fora. Existe união entre todos e isso é fantástico”, considera o jovem de 19 anos de idade reconhecido pelos seus “aéreos” entre os membros da comunidade.
Laura Barbosa reafirma as palavras de “Nelssim” acrescentando que, ao contrário dos comentários comuns, os bodyboarders e surfistas “dão-se bem” e, além disso, a comunidade acolhe “com amizade e apoio” novos elementos.
“Fui muito bem acolhida. E o facto de ser mulher não trouxe contratempos. Há respeito, muita amizade e convívio”, conta a estudante do curso superior Guias da Natureza, uma área que lhe agrada desde a infância, sendo que, segundo dizem os amigos orgulhosamente, trata-se da única mulher a “dropar a onda de Santa Catarina” até ao momento.
Questionados sobre as necessidades desse desporto no contexto Açores, as posições são unânimes ao salientarem os apoios no sector desportivo nomeadamente o que engloba os custos da insularidade e a condição geográfica.
“Sai muito dispendioso sair dos Açores. São os custos das passagens aéreas e o transporte de carga do material”, considera Samuel Barcelos. E Laura Barbosa acrescenta: “As viagens são importantes para podermos conhecer ondas diferentes”.
Nelson “Nelssim” Branco justifica salientando a prática e a experiência adquirida.
“Só assim é possível evoluir como atletas e como pessoas”, remata.
O Azores Islands Bodyboarding Festival 2011, organizada pela União de Surfistas e Bodyboarders dos Açores (USBA) em parceria com a Associação de Surfistas da Terceira (AST), integra a partir de hoje e até domingo, dia 20, a 3ª etapa do Circuito Nacional de Bodyboard Open e Feminino e, dias 22 a 27, a etapa do Circuito Mundial de Qualificação GQS da IBA.
Protagonista do cartaz
O protagonista do cartaz criado para o Azores Islands Bodyboarding Festival 2011, Miguel Mendonça, popularmente conhecido por “Biscoito”, fotografado por Paulo Melo, é um dos riders terceirenses participantes no evento cujo desempenho se destaca nos “tubos”.
Contando com oito anos de actividade e confessar a sua preferência por ‘free surf’, o bodyboarder exalta a beleza e qualidade da onda de Santa de Catarina, onde, conta, viveu a sua maior queda – ‘wipe out’ –, logo nos primeiros tempos de prática da modalidade.
“Foi marcante sobretudo a nível psicológico, porque teve impacto na minha evolução no bodyboard”, declara Miguel Mendonça, à conversa com “a União”, salientando as características do dito spot localizado na Praia da Vitória. “É uma onda muito técnica e, por isso, é necessário bastante evolução”, considera.
Neste sentido, adianta, diz ter boas expectativas quanto ao evento que hoje arranca. À semelhança dos seus amigos e colegas, o foco não está na competição em si mas no cenário e mobilização de gentes que a iniciativa irá proporcionar à ilha Terceira.
“A adrenalina e o convívio com os amigos também são parte importante. Além disso, e não menos significativo, é o facto de o esgoto ter sido removido de Santa Catarina. Deixa-me muito feliz”, sublinha.
Em matéria de ‘swell’ para o campeonato, considera o ideal 1,5m com sets de 2m, e confessa a ‘invert air’ como a sua manobra preferida.
No que concerne a influências a nível local, destaca o perfil desportivo e pessoal de Carlos Leal e Samuel Barcelos, ambos seus amigos ligados à Associação de Surf da Terceira (AST), e, no campo nacional, Luís ‘Porkito’ Pereira.
Miguel “Biscoito” Mendonça tem 23 anos de idade, é formado em técnicas de Construção Civil, e, presentemente, está a frequentar o curso superior de Energias Renováveis na Universidade dos Açores.
“Verdadeiro desafio”
De acordo com a USBA, os top’s nacionais Manuel Centeno e Jaime Jesus, que já se encontram na ilha Terceira, têm treinado “em boas ondas”, conforme as palavras deste último atleta “com mais rodagem em Santa Catarina: “Esta é a terceira vez que aqui venho e já apanhei muito boas ondas, se bem que nunca com o tamanho que isto pode dar. É uma onda triangular com tubos e rampas para a direita e esquerda, em fundo de pedra bem raso. Isto, a partir de um metro, pode apresentar um verdadeiro desafio só à altura de bodyboarders muito experientes. Penso que pode dar um excelente espectáculo”, sustenta.
Outros nomes participantes vindos do continente são Hugo Pinheiro, Manuel Centeno, e Gastão Entrudo, e, ainda, Catarina Sousa e Rita Pires.
Para além de Samuel Barcelos, a USBA inclui o Pedro “Pedrim” Correia ( ilha de São Miguel) como ‘Wild Card’, sendo que o 3º será para o melhor açoriano na 3ª etapa do Nacional e o 4º será atribuído pela ETB.
Sónia Bettencourt
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